A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição de saúde de alta prevalência e significativa relevância clínica e epidemiológica. Caracterizada pelo aumento da pressão sanguínea nas artérias, a HAS é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e doenças cardíacas. No Brasil, a HAS afeta uma parcela substancial da população, sendo considerada um dos principais desafios de saúde pública. De acordo com dados do Ministério da Saúde, em 2020, aproximadamente 36 milhões de brasileiros eram hipertensos, o que representa mais de 20% da população adulta. Além disso, a HAS é responsável por um grande ônus econômico, devido aos custos associados ao tratamento de suas complicações, hospitalizações e perda de produtividade.
A abordagem terapêutica convencional para a HAS inclui o uso de medicamentos anti-hipertensivos, que têm como objetivo reduzir a pressão arterial para níveis aceitáveis. No entanto, mesmo com o tratamento medicamentoso, muitos pacientes continuam a apresentar pressão arterial elevada e estão em risco de complicações cardiovasculares. Nesse contexto, surge um crescente interesse em explorar estratégias não farmacológicas para o controle da HAS. Entre essas estratégias, o exercício físico tem sido amplamente estudado como uma intervenção complementar. A prática regular de atividade física demonstrou benefícios significativos na redução da pressão arterial e na melhoria da saúde cardiovascular em indivíduos hipertensos.
No entanto, ainda existem lacunas no conhecimento sobre como a combinação de exercícios físicos supervisionados com a terapia medicamentosa pode otimizar o controle da pressão arterial e reduzir a morbimortalidade associada à HAS. A pesquisa científica nesta área é crucial para fornecer uma base sólida para aprimorar as abordagens terapêuticas e as diretrizes clínicas no tratamento da HAS. Além disso, a análise do perfil proteômico dos indivíduos pode fornecer informações valiosas sobre os mecanismos subjacentes à resposta ao exercício e à terapia medicamentosa na HAS. Portanto, este estudo propõe a condução de um ensaio clínico randomizado para avaliar o efeito da combinação de exercícios físicos supervisionados com a terapia medicamentosa no controle da pressão arterial em pacientes hipertensos, bem como correlacionar esses efeitos com os índices proteômicos dos indivíduos.
O exercíco reduz a pressão arterial em indivíduos hipertensos mesmo em uso de medicação otimizada.
Avaliar a redução da pressão arterial e índices metabolômicos em pacientes hipertensos submetidos a um protocolo de exercício físico.
Avaliar os indicadores de saúde da população adstrita atendida pelo projeto; Estimar a redução de custos de saúde proporcionado pela atenção primária aliada à alta tecnologia; Desenvolver algoritmos de inteligência artificial que auxiliem no diagnóstico e acelerem a conduta precoce para patologias prevalentes na atenção primária do Sistema Único de Saúde; Desenvolver um algoritmo de inteligência artificial para rastreio de patologias associadas a marcadores genéticos e inflamatórios, acelerando o diagnóstico e conduta;Aprimorar o letramento em saúde da população atendida pelo projeto; Implantar um servidor para armazenamento dos dados coletados em ações de saúde do projeto;Analisar a prevalência de doenças locorregionais e correlacionar com o perfil genético dos indivíduos; Correlacionar o perfil metabolômico dos indivíduos com a prevalência das patologias: aterosclerose, diabetes mellitus e hipertensão arterial sistêmica; Identificar a relação do perfil metabolômico com as taxas de morbimortalidade da população atendida; Utilizar ferramentas de inteligência artificial para propor métodos de previsão de desfechos clínicos com base em estudos prévios e os dados obtidos durante execução do estudo; Estabelecer uma metodologia de implantação de laboratório de inteligência artificial de pesquisas translacionais que possa ser reproduzido em mais locais do país.
A população-alvo compreende indivíduos diagnosticados com HAS, sendo necessário que apresentem um índice de massa corporal (IMC) inferior a 45kg/m² e que estejam sob tratamento farmacológico prescrito por um profissional médico há mais de três meses, com a pressão arterial devidamente controlada, no alvo terapêutico para o risco específico do indivíduo. Será utilizada a definição atual para Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), conforme estabelecida por diretrizes internacionais como as do American College of Cardiology (ACC) e da American Heart Association (AHA), bem como diretrizes brasileiras, é a seguinte: Hipertensão Estágio 1, a pressão arterial sistólica (PAS) varia entre 130 e 139 mmHg, enquanto a pressão arterial diastólica (PAD) situa-se entre 80 e 89 mmHg. Na Hipertensão Estágio 2, a PAS é de 140 mmHg ou maior, e a PAD é de 90 mmHg ou maior. Critério de Exclusão: Serão excluídos da pesquisa os indivíduos que não estiverem em uso regular de medicação otimizada prescrita para HAS e aqueles com deficiências físicas que impeçam a execução segura do protocolo de exercícios ou medições, como ausência de membro(s) superior(es).
O exercício físico traz risco inerente à condição osteomuscular do indivíduo, que pode ser mitigada com a presença de profissional capacitado instruindo a execução. Os exames realizados no painel inicial de cada indivíduo participante serão realizados por profissionais capacitados da área e constituem exames não complexos e sem risco à vida. RISCOS - São caracterizados como mínimos à moderado; porque durante a aplicação da coleta de dados pode haver: timidez ou constrangimento em responder alguma pergunta e ao realizar o exame físico. Para reduzir os riscos, o local da entrevista e do exame físico será realizado em local adequado sendo assegurado o direito do participante se recusar em realizar exame físico e/ou responder à alguma pergunta que o constranja. Os riscos apresentados nesta pesquisa serão em relação ao questionário aplicado que expõe informações sensíveis e, com isso, há possibilidade de prejuízos, como a quebra de sigilo e estigmatização a partir do conteúdo velado. Para minimizar tais riscos, serão realizadas entrevistas em um local privado, com um treinamento prévio e adequado da equipe para aplicação do questionário e o acesso aos dados serão limitados ao pesquisador responsável, de forma a garantir a não violação e integridade das informações. Ademais, a fim de manter sua privacidade, a sua identificação será substituída por um código alfa numérico. Os dados coletados serão armazenados em servidor próprio que será implantado. A fim de respeitar os preceitos éticos relacionados ao sigilo e privacidade dos participantes, e mitigar o risco de quebra de sigilo, o pesquisador responsável realizará os seguintes procedimentos.
Os benefícios para todos os participantes são o oferecimento de exames de alto valor agregado de forma gratuita, acompanhamento da saúde do indivíduo durante a realização da pesquisa. Para os grupos de intervenção, há o benefício da oferta de local para exercício resistido acompanhado por profissional durante o tempo da pesquisa. Os benefícios potenciais desta pesquisa são vastos e impactantes. Ao identificar como a combinação de exercícios físicos supervisionados e terapia medicamentosa pode otimizar o controle da pressão arterial, este estudo pode revolucionar o tratamento da hipertensão. Além disso, a análise do perfil proteômico dos pacientes poderá fornecer insights valiosos sobre os mecanismos biológicos subjacentes à hipertensão, permitindo a personalização dos tratamentos com base nas características individuais de cada paciente. Isso não só aumentaria a eficácia das intervenções terapêuticas, mas também reduziria os riscos de complicações cardiovasculares, melhorando significativamente a qualidade de vida dos pacientes hipertensos e reduzindo os custos associados ao tratamento da doença.