Operação realizada com sucesso!

Eixos Temáticos

Eixos Temáticos

As fronteiras da América do Sul representam, ao mesmo tempo, linhas de separação e espaços de encontro. Mais do que simples limites políticos, são zonas de contato onde circulam pessoas, mercadorias, culturas e ideias. A geografia política permite compreender essas fronteiras como construções históricas e dinâmicas, moldadas por disputas territoriais, processos de colonização e projetos de integração regional. Hoje, em um contexto global de reconfiguração geopolítica e avanço de um mundo multipolar, esses espaços ganham novos significados estratégicos. As iniciativas de integração da América do Sul, incluem o Mercosul e a Unasul, e mais recentemente a Rota Bioceânica, que ligará o Brasil ao Oceano Pacífico por meio do Paraguai, da Argentina e do Chile. A rota promete dinamizar o comércio e aproximar os países sul-americanos do eixo asiático, especialmente da China, que tem ampliado sua presença econômica e diplomática na região por meio de investimentos em infraestrutura e energia. No entanto, essa integração não está isenta de contradições: pode fortalecer a dependência de exportações primárias, gerar impactos socioambientais e acentuar assimetrias entre os países e regiões fronteiriças. A geografia política analisa criticamente os espaços fronteiriços e os processos contraditórios de integração e fragmentação dos territórios, evidenciando que a integração sul-americana precisa ir além da lógica mercantil. É necessário considerar os povos e territórios envolvidos, fortalecendo a soberania regional diante das pressões externas. As fronteiras, portanto, não devem ser vistas apenas como corredores de passagem, mas como espaços de decisão política, diversidade cultural e resistência frente às disputas de poder que moldam o século XXI.
Este eixo tem como objetivo reunir o conhecimento geográfico sobre a cidade e o campo, especialmente em Mato Grosso do Sul, a partir de uma leitura crítica e dialética do seu espaço. No que se refere ao espaço urbano, as temáticas versarão sobre: a (re)configuração da rede urbana e novas territorialidades; modernização agrícola e urbanização; dinâmicas socioespaciais; capitais regionais; pequenas e médias cidades; políticas públicas voltadas para o desenvolvimento urbano; conflitos e lutas por direitos na cidade; construções de loteamentos horizontais murados; (re)funcionalização de áreas centrais; mobilidade urbana; economia solidária e suas novas formas de produção e consumo; cidades fronteiriças. Em relação ao espaço rural, busca-se contribuir com o debate acerca do desenvolvimento regional e as transformações socioespaciais, enfocando temáticas como: o conflito e a luta pela terra, envolvendo sobretudo os povos originários em MS; as novas dinâmicas do mundo rural diante do processo de globalização; industrialização do campo e o agronegócio; turismo rural; agroecologia; políticas públicas para o campo; especialização territorial produtiva; agricultura familiar; segurança alimentar; relações campo-cidade; agrohidronegócio.
A ciência geográfica, com suas múltiplas abordagens, possibilita ao indivíduo compreender as interações e relações que se configuram no espaço geográfico e, com isso, a desenvolver um olhar crítico sobre as narrativas estabelecidas. Ademais, o ensino de Geografia se propõe a articular fundamentos teóricos, práticas pedagógicas e recursos tecnológicos como estratégias para o fortalecimento do pensamento espacial, da leitura de mundo e da capacidade de análise das transformações territoriais. Nesta perspectiva, o ensino de Geografia, articulado à cartografia escolar e às novas tecnologias, favorece e fortalece a construção e o aprimoramento do pensamento crítico, por meio de representações que aproximam o conteúdo a ser abordado com a realidade do discente, realidade essa que, muitas vezes, não está explicitada nos livros didáticos. Logo, este eixo temático possibilitará discussões sobre o avanço tecnológico atrelado ao Ensino de Geografia e à Cartografia Escolar, o que permitirá o aprimoramento das formas de análise e compreensão do espaço geográfico, promovendo uma leitura mais crítica, representativa e integrada das dinâmicas territoriais.
A Geografia incorpora os debates provenientes das mudanças sociais de forma dialógica e dialética, levantando questões acerca da saúde e doença dos diversos grupos sociais, destacando suas especificidades quanto às sexualidades, ao gênero, às condições socioeconômicas e à raça. Esta última compreendida na perspectiva sociológica de hierarquização da cor, configurando-se como uma categoria de classificação e estratificação social. A articulação entre raça, gênero, sexualidade e saúde propicia reflexões teóricas, empíricas e sobre as políticas públicas acerca dos corpos mais estigmatizados e vulneráveis, ou seja, todos aqueles que fogem ao padrão cisheteronormativo, homotransfóbico e eurocêntrico. Pretendemos debater saúde, negritude e branquitude, mulheres, indígenas, gays e lésbicas, travestis, pessoas transsexuais como potência e como protagonistas de uma revolução em andamento na sociedade brasileira.
As dinâmicas contemporâneas de apropriação e uso do território evidenciam a complexidade da questão ambiental, marcada pela sobreposição de interesses econômicos, políticos e socioculturais. A intensificação das atividades produtivas, a expansão das fronteiras agrícolas, a exploração de recursos minerais e a urbanização desordenada, por exemplo, têm produzido profundas alterações nos ecossistemas e agravado conflitos socioambientais. Nesse contexto, as disputas territoriais emergem como expressão das contradições entre modelos de desenvolvimento e práticas de conservação ambiental, refletindo desigualdades históricas no acesso e no controle dos recursos naturais. As áreas protegidas, compreendidas em sua diversidade, incluem unidades de conservação, terras indígenas, territórios quilombolas e outras formas de salvaguarda ambiental, constituindo instrumentos essenciais para a manutenção da biodiversidade, a mitigação das mudanças climáticas e a garantia de direitos territoriais de povos e comunidades tradicionais. Assim, este eixo temático propõe-se a promover uma análise crítica sobre as inter-relações entre questão ambiental, disputas territoriais e áreas protegidas, enfatizando os desafios e as potencialidades da gestão integrada e democrática do território. Busca-se fomentar o debate científico acerca das políticas públicas, dos mecanismos de governança e das estratégias de conservação que contribuam para a consolidação de modelos sustentáveis e socialmente equitativos.
Enquanto campo científico, a geografia física constitui um dos pilares da ciência geográfica, com estudos voltados aos elementos do espaço geográfico, cuja relação e interação dos componentes fisicos, biológicos e antrópicos são analisados de forma integrada, sistêmica. Nesse contexto, a geodiversidade manifesta-se como uma forma de interpretar a organização espacial dos ambientes, considerando tanto os processos naturais quanto a ação humana como partes interdependentes na construção e transformação do espaço geográfico. Logo, a geodiversidade representa a base física que sustenta a biodiversidade e o patrimônio natural, constituindo um recurso estratégico para a pesquisa científica, a educação ambiental, o turismo sustentável e o ordenamento territorial. Associada a ela, a geoconservação emerge como um campo de estudo e prática voltado à identificação, valorização, proteção e gestão dos elementos geológicos e geomorfológicos de relevância científica, educativa, cultural e paisagística. Portanto, a geoconservação busca garantir a preservação dos geopatrimônio, por meio de políticas públicas, geoparques, inventários geossitológicos e ações educativas que promovam o reconhecimento social da importância da geodiversidade. Logo, este eixo temático busca promover reflexões acerca dos aspectos da Geografia Física e da geodiversidade, proporcionando debates sobre a valorização da diversidade natural, reconhecendo sua relevância para o planejamento ambiental, a conservação dos recursos e a formação de uma consciência socioambiental crítica.
Este eixo temático tem como propósito reunir reflexões e investigações que explorem as inter-relações entre as múltiplas identidades territoriais e suas materializações em diferentes linguagens e práticas socioespaciais, compreendidas como formas de representação, expressão e significação do espaço. Nesse contexto, também são valorizadas contribuições que problematizem as práticas turísticas, entendidas como fenômenos que se articulam aos processos de produção, apropriação e ressignificação dos lugares, evidenciando as dimensões simbólicas, políticas e econômicas do espaço geográfico. O intuito é abranger pesquisas com temáticas relacionadas às conexões entre cultura, patrimônio e turismo; identidade e pertencimento; e aos usos simbólicos e materiais do espaço. Incluem-se, ainda, análises sobre os impactos das atividades turísticas na valorização, mercantilização e transformação dos territórios, considerando as disputas de sentido e poder que atravessam esses processos. O eixo propõe, assim, fomentar um debate crítico e interdisciplinar acerca das identidades culturais e das práticas socioespaciais que configuram o espaço geográfico contemporâneo, enfatizando o papel das diferentes linguagens e representações, e, também, do turismo, na produção e ressignificação dos lugares.