“Educação: Cotas Indígenas e um Olhar Crítico da Juventude em Defesa da Educação Superior” foi um dos temas discutidos durante a VII Grande Assembleia da Juventude Terena, que aconteceu entre os dias 01 e 04 de fevereiro, na Aldeia Buriti, no município de Dois Irmãos do Buriti.

Realizada anualmente, a Assembleia tem como objetivo discutir a maioria das questões que envolvem o movimento indígena, além de despertar o espírito de liderança que há na juventude, descobrindo novos líderes e novos caciques. Para o coordenador do movimento da Juventude Terene, Guilherme Figueiredo, a Assembleia, nesse sentido, se revela um espaço de formação para esses jovens, onde eles se fortalecem politicamente, “indo lá na frente, conversando, expressando o que estão sentindo”, explica a liderança.
Representando a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), participaram da mesa “Educação: Cotas Indígenas e um Olhar Crítico da Juventude em Defesa da Educação Superior” o Pró reitor de Ações Afirmativas Equidade e Permanência Estudantil(PROAFE) Prof. Dr. Diógenes Egídio Cariaga, André Mazini - assessor de popularização da ciência da Universidade Estadual, e ainda o Antropólogo Hilário Urquiza da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), da professora Eva, da comunidade local e do professor Jhonatas, que é egresso da UEMS e atualmente professor numa escola do Estado.
Para o Prof. Dr. Diógenes Egídio Cariaga – Pró reitor de Ações Afirmativas Equidade e Permanência Estudantil, a participação de
representantes da Universidade Estadual nesse encontro da Juventude Terena permite aprimorar não só os mecanismos de escuta dos acadêmicos indígenas da UEMS, que estavam presentes na Assembleia, mas de todos aqueles incluídos e acolhidos pela Instituição. Diógenes lembra ainda que a criação da Pró-reitoria de Ações Afirmativas Equidade e Permanência Estudantil (PROAFE) é justamente uma ação afirmativa e de continuidade das conquistas históricas da Universidade no que diz respeito ao egresso, de alunos e alunas indígenas, pretos e pardos.
Segundo o Pró Reitor a UEMS vem se comprometendo nos seus últimos 30 anos de existência, mais especificamente há 20 anos, desde que instituiu a políticas de ações afirmativas de ingresso, em aprofundar e criar estratégias que assegurem a permanência desse aluno, com um olhar mais atento aos alunos cotistas. “Participar de encontros como este da Juventude Terena é poder melhorar o nosso trabalho de escuta qualificada e poder pensar essas políticas a partir do “chão” do território de onde esses alunos e alunas vem”, concluiu Diógenes.
Já André Mazini explicou que a principal pauta discutida foi
permanência dos estudantes indígenas ao longo da universidade. “ A UEMS é uma referência nacional em relação à inclusão de indígenas na Universidade. Foi a primeira, e ainda é a única, a ter cotas pra indígenas em todos os cursos, mas isso não quer dizer que o desafio de inclusão esteja superado. Ainda há muita evasão e mesmo no ingresso nem sempre as vagas reservadas são preenchidas, por isso esse tipo de contato direto com povos indígenas é tão importante, para fortalecer cada vez mais nossa política de ações afirmativas”.
O assessor ainda acrescentou que em momentos como esse “mostramos caminhos que podem garantir a permanência dos acadêmicos indígenas ao longo da graduação, possibilidades de bolsas e auxílios e dados que mostram o quanto a formação pode representar um ganho real na renda familiar dessas pessoas”.
Uma das propostas apresentadas pela juventude indígena, em especial no que diz respeito a UEMS, foi a de um incentivo maior a formação de comunicadores indígenas. “ Vamos verificar uma forma de viabilizar essa formação”, afirmou André.